O som da morte – E. J. C. king

capa o som da morteCategoria: Vingança. Crime. Horror

 

O corpo ao seu lado estava desmembrado. Usara uma faca elétrica e ao som de Hallowed Be Thy Name, cortou parte por parte. O sangue escorria por todos os lados e o colchão absorvia grade parte. O quarto que antes era branco tornou-se vermelho. A energia sombria do local era abafada pela próxima música, Dance of Death.

Após seu trabalho, caminhou até a sacada do hotel e olhou o céu estrelado. Por um tempo contemplou a lua cheia que estava em seu ápice. Virou-se de costas para a grade da sacada e tornou a olhar seu trabalho, o corpo em cima da cama. Ali havia feito todos seus desejos e ao final do prazer, teve o que merecia.

Se passado um tempo, entrou, puxou uma poltrona e sentou-se ao lado da cama. Pegou um copo e serviu-se de Jack Daniels, o gosto amadeirado descia suave comparado com o cenário. Lembrando-se de detalhes, focou nas partes que mais gostara. A que esfaqueou a lateral da cintura, e os olhos arregalados de susto do homem. Sentada em cima dele, o olhava e arquitetava cada detalhe, sorriu maliciosamente antes de dar o primeiro golpe. Dali em diante, começou a divertir-se. Quando ele dera por si já era tarde. Com as mãos algemadas na cabeceira da cama, nada podia fazer. Tolo por ter dado a ideia de algo mais apimentado. Pobre verme.

Após sua morte, seguiu-se a diversão da noite. Ao som de Tears Of The Dragon ela rasgava com delicadeza todas as partes mais frágeis, com a suavidade do ritmo da música cortava os pulsos profundamente, suas lágrimas escorriam no rosto e todo o peso de seu peito saia em cada profundo corte. Ao terminar com eles, decidiu ir aos olhos, pegou um bisturi que amou usar para esse procedimento e fazendo os desenhos perfeitos, sentiu-se uma cirurgiã das mais especializadas. Ao removê-los, os colocou em um copo que estava em cima do criado mudo. Contemplou parte de seu trabalho e sentiu o peso do peito saindo mais que antes. Olhou para o corpo e decidindo por onde começar novamente optou pelo pescoço, fácil e suave de fazer alguns cortes, então iniciou novamente seu processo de alívio da alma. Ao terminar os cortes suaves, decidiu desmembrar as primeiras partes, com sua pequena serra, mas muito qualificada para tal procedimento, ela começou seu real trabalho.

Sentada ali deixou passar em sua mente cada momento como um filme. Ao notar que seu copo estava vazio, decidiu pegar o outro que estava no criado, despejou um pouco a mais de whisky para ver os olhos que ali estavam, nadar. Trocou o álbum que estava ouvindo, cruzou suas pernas cumpridas em cima do braço da poltrona e ficou olhando seu sapato preto de salto fino e todo envernizado, ao som de Holy Wars. A energia da música a tomava e em suas veias corriam o prazer de se sentir livre, recém saída das garras daquele animal. Ali deitado e sem vida, contra ela não poderia fazer mais nada.

Seu sapato brilhava naquele ambiente sombrio, a luz da lua que entrava no quarto refletia naquele verniz sem nenhum arranhão. Ela possuía muito cuidado com seus preciosos sapatos, sua coleção de preenchia prateleiras. Era ‘sexy’, segundo sua opinião. Tomou um pouco de sua bebida misturada com pouco de sangue que havia escorrido dos olhos, e eles balançando na bebida eram como um convite de degustação. Olhou para eles por um bom tempo, esperando a música ideal começar.

Após mais três músicas, sua faixa especial começou, ao som da introdução ela permitiu que suas lágrimas caíssem. Deixou todo o horror que fora obrigada a viver sair de sua alma, permitiu-se chorar como nunca havia feito. Olhou para o corpo e falou algumas coisas que estavam guardadas Descarregou seus medos, humilhações, sofrimentos, machucados na alma que foram feitos por ele. Falou sobre seus abusos, às surras que havia ganhado e todas as palavras cruéis que entrado em seu coração e alma a fez morrer aos poucos.

Sua dor emocional era dilacerante, mais até que as físicas. Ao estrondo de sua faixa especial, ela pegou um dos olhos que estavam no copo, colocou na boca e o mastigou como se fossem almôndegas, a explosão da música a fez mastigá-los como furor. Nunca mais eles a veriam. Aqueles olhos não olhariam para seu corpo com crueldade e não desejariam usá-la. No clímax do refrão, ela terminou de comer aqueles olhos, sua boca escorria, e ela sentia-se viva.

Terminou de tomar o líquido do copo. O relógio marcava quase quatro da manhã. Com um robe preto amarrado na cintura ficou de pé, e com seu sapato caminhou até a bolsa, colocou suas roupas ali dentro, segurou-a com delicadeza e dirigiu-se até a porta, antes de abri-la, olhou novamente para a cama, sua última lágrima escorreu. Virou-se para a porta, abriu e saiu livre. Ao fechar a porta ainda pôde ouvir as últimas notas de sua faixa especial que ainda estava tocando, Black Star de Yngwie Malmsteen.

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