Um pouco de Agatha Christie

E não sobrou nenhum

Em 1938, Christie comprou sua casa dos sonhos em Devon, na Inglaterra. A mansão, chamada Greenway, foi o lugar onde ela e a família passaram quase todos os verões até sua morte, em 1976. Isolada, cercada por natureza, com uma confortável biblioteca e uma cadeira de leitura perto da janela. A casa hoje é parte da National Trust e pode ser visitada desde 2009.

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Essa região também inspirou diversos romances policiais. Um hotel numa pequena ilha na costa de Devon foi a inspiração para a ilha e a casa de E não sobrou nenhum (também conhecido como o Caso dos Dez Negrinhos), que é seu livro mais vendido do mundo. Até hoje existe um hotel nessa ilha, o Burgh Island Hotel, que tem uma suite de Agatha Christie.
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A partir dos anos 1950 ela diminuiu o ritmo da escrita – que era de pelo menos um livro por ano – e passou a dedicar-se mais a uma vida tranquila e para adaptar suas obras para o teatro – A Ratoeira é a peça que está há mais tempo em cartaz no mundo.
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Ao longo de sua carreira, a escritora publicou 66 histórias de detetive e 14 coleções de contos. Os mais populares são aqueles com seus famosos personagens solucionadores de mistérios, o detetive belga Hercule Poirot e a simpática senhorinha Miss Marple. Ela também escreveu seis romances com o pseudônimo de Mary Westmacott, que foi descoberto em 1946.

O Guiness lista Agatha Christie como a maior vendedora de best sellers do mundo. Seus livros venderam 4 bilhões de cópias. Ela também é a autora mais traduzida do mundo: é possível encontrar seus mistérios em 103 idiomas.

Morte no Nilo

O casamento com Max e suas viagens arqueológicas fizeram de Agatha Christie uma experiente fotógrafa e ajudante do marido. Ela catalogava e inclusive participava da restauração das peças encontradas por ele. Vários dos artefatos descobertos pelo casal estão em exposição nas galerias da Mesopotâmia, no Museu Britânico, em Londres.

Os sítios arqueológicos que ela conheceu nesse período também tornaram-se inspiração para seus livros. Encontro com a Morte se passa em Jerusalém e Petra. Morte na Mesopotâmia conta a história de uma enfermeira que cuida de um arqueólogo numa escavação no Iraque. Para escrever nessas condições nada fáceis, ela dizia que precisava apenas de uma mesa firme, uma cadeira e uma máquina de escrever.

O Egito também foi um importante pano de fundo dessas histórias. O livro favorito do único neto de Christie era E no final a morte, escrito em 1943, mas que narra uma história que se passa no Egito Antigo. A pesquisa para escrever um romance que se passa quatro mil anos antes contou com a ajuda de amigos egiptólogos e é bastante fiel à realidade do antiga Tebas.

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Morte no Nilo, conta a história de uma intriga entre jovens apaixonados, o detetive Hercule Poirot e um cruzeiro pelo Rio Nilo. A inspiração veio de seus dias no Hotel Old Cataract (foto acima), com uma vista majestosa para o Rio e os barcos que circulam ali diariamente.

Assassinato no Expresso do Oriente

Divorciada, o desejo de Agatha por explorar o mundo só cresceu. Um dos seus maiores sonhos era viajar no legendário trem Expresso do Oriente:

Quando eu estive na França, Espanha ou Itália, o Expresso do Oriente esteve frequentemente parado em direção a Calais e eu desejava pular dentro dele”, afirmou Agatha Christie em seu livro Uma Autobiografia.

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A decisão de partir veio após uma conversa com um oficial naval, que lhe contou sobre suas viagens pela encantadora Bagdá e o Iraque. Foi então que ela reservou bilhetes para o Simplon-Orient Express, que a levaria de Paris a Istambul, de Istambul a Damasco, de Damasco a Bagdá, e com planos de visitar um sítio arqueológico em Ur, na Síria.

Uma mulher sozinha, viajando para o Oriente Médio, obviamente levantou muitas preocupações. A resposta de Christie para isso:

“Uma pessoa precisa fazer coisas por si mesma às vezes… Ou eu me apego a tudo o que é seguro e que eu sei, ou então eu desenvolvo mais iniciativa, faço as coisas sozinha”.

Cinco dias depois, ela embarcou no trem e um novo capítulo em sua vida começou. O trem dos seus sonhos, como ela afirma em sua biografia, permitiu que ela visse, fascinada, um mundo completamente diferente. Passou por montanhas nos Balcãs e mares na Turquia. Quando chegou a Ur, conheceu seu segundo marido, o arqueólogo Max Mallowan.

As viagens de Christie não pararam. Ela levava sua máquina de escrever nas suas viagens, mesmo quando visitava com Max sítios arqueológicos, tornando-se, ela mesma, uma especialista na área.
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A inspiração para um de seus livros mais famosos veio em 1931. Uma noite, quando viajava sozinha, o trem precisou parar por causa de uma tempestade que inundou a linha. A tempestade virou neve e o trem demorou dois dias para finalmente continuar seu trajeto e chegar até o destino. O incidente e os companheiros de viagem inspiraram a trama de Assassinato no Expresso do Oriente. Mais tarde o livro virou filme.
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Cai o pano 

Em 1971, Agatha Christie ganhou o título de Dama pela ordem do Império Britânico, por sua contribuição com a literatura. Um dos últimos livros que escreveu, o último com Hercule Poirot, chamado Elefantes nunca esquecem, foi publicado em 1973, e alguns especialistas indicam que há sinais de que a autora estaria sofrendo de Alzheimer.

A última aparência pública da autora foi na abertura do filme Assassinato no Expresso do Oriente, a versão de 1974. Ela morreu em janeiro de 1976 e foi enterrada na Igreja de St Mary’s, em Cholsey.

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Esse não foi o fim de seu legado, entretanto. Desde os anos 1940, Agatha Christie planejou dar um fim em seus personagens mais famosos, caso morresse. Ela escreveu, durante a Segunda Guerra Mundial, Cai o Pano e Um crime adormecido, com os últimos mistérios e mortes de Poirot e Miss Marple, respectivamente. Guardou essas histórias num cofre e eles só foram publicados após a morte da autora.

A morte de Hercule Poirot foi homenageada com um obituário de uma página inteira no jornal The New York Times. Foi a primeira vez que fizeram isso para um personagem de ficção.
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Em uma cerimônia privada, Agatha foi enterrada no cemitério da Igreja de St. Mary, em Cholsey, Berkshire. Seu túmulo, frequentemente visitado por fãs e turistas, fica em uma pequena área gramada e muito tranquila, atrás da igreja, formando um cenário bucólico e de ares pacíficos, que fazem lembrar muito a velha aldeia de St. Mary Mead, onde vivia Miss Marple

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No dia 12 de janeiro de 1976 Agatha Christie faleceu, aos 85 anos. A escritora faleceu serenamente, de causas naturais, em sua residência em Wallingford, no condado de Oxfordshire.

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In Memoriam

Agatha Mary Clarissa Mallowann

DBE

Agatha Christie – Escritora & Autora Teatral

NASCIDA 15 SET 1890 – FALECIDA 12 JAN 1976

Dormir depois da provação, aportar após mares tempestuosos,
Calmaria após a guerra, a morte depois de vida, causam grande satisfação

 

 

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1 Comment

  1. Muita coisa eu juro que nem fazia ideia. Facinante! Realmente uma escritora que foi um marco nao so para a literatura mas para toda produção de uma cultura!

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