A HERANÇA – E. J. C. King

Sinopse:
Amara está perdida e procura uma saída para sua paz, antes que enlouqueça. Achando ser a solução, ela procura um centro de ajuda onde é aconselhada por um padre. Achando estar no caminho certo ela segue sem nem pensar duas vezes. Durante sua jornada em busca de respostas ela descobrirá sua origem.

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Prólogo

Naquela noite tudo parecia estar estranho. O ar estava pesado. O lago estava calmo, porém, havia algo ali que arrepiava meu corpo.
Havia ido acampar, queria um tempo longe de tudo. Estava sozinha. Sentada olhando para a fogueira que com tanto trabalho consegui fazer, me senti útil. O calor do fogo me aquecia. Tomava meu chá favorito. Todo o cenário parecia estar normal e tranquilo, porém, meu espírito me incomodava para sair dali. Andei tão agitada esses dias que achei normal o que estava sentindo e ignorei totalmente.

Cerca de uma hora se passou, estava perdida pensando na vida. O chá havia acabado obviamente. Entrei na barraca, me aconcheguei e peguei um livro para ler. Lembro-me de ter algo do tipo.

“Como se habitasse o vazio, vozes e vontades me alcançam quando já estou nas profundezas de um sono desperto, letárgico e alérgico às novas esperanças e amores.
Já não me dizem nada certas canções que costumava ouvir, as melodias nada mais são que as cascas de uma ferida aberta.

Não sei quando, provavelmente dos tempos em que, imitando um equilibrista, tentei atravessar as bambas almas de tantos amados.
No porão oculto, fotografias que se desbotam, eu quase não reconheço estes ou aqueles e também algumas outras. “Já há um tempo que não desço aqueles degraus rangentes e pode até ser que, já não haja nenhum rosto por trás das molduras”

Não me lembro muito bem. Penso que, segundos após ler esses versos, começou ventar forte lá fora. Levantei-me para fechar a barraca, olhei por um tempo o cenário. Árvores balançando suas copas. Algumas folhas caídas levantando-se. No entanto, havia algo errado ali, eu devia ter saído enquanto ainda me restava chance. Eu sentia isso, mesmo não acreditando na história local.

Algumas pessoas da região não iam ali com frequência, desde as últimas cinco mortes. Um grupo de jovens bêbados morreu. Haviam ido acampar e no outro dia, não apareceram em casa, horas se passaram e permaneciam sumidos. A comunidade começou a procurar. Nada de notícias. Isso foi por uma semana, até que as buscas ali se encerraram. Acredito que as autoridades locais não fizeram nada por se tratar de jovens com histórico de problemas.

Se passado alguns dias, uma moça do convento local saiu para um passeio. Ela, que agora está em um sanatório, avistou quando um ser maligno entrava na água. Deu um grito imediatamente e ele virou-se com olhos amarelos, ela correu por sua vida e chegou ao convento e contou o ocorrido. Desde então ela ficou louca. Padres que acreditaram na moça, mesmo com o estado descontrolado em que se encontrava, foram até o local para fazer suas rezas.

Os moradores da região, dizem que em meio às rezas um corpo apareceu flutuando nas águas. Um dos meninos que acompanhava os padres, logo tentou puxar o corpo. Quando deram por si, era um dos cinco jovens, ele estava dilacerado, com sua barriga aberta, sem os olhos, arranhões por todas as partes. Algo horrível de se ver. Estava quase desfigurado. O real motivo de terem o reconhecido, era que, a única coisa que estava intacta nele, era um crucifixo que um dos padres havia dado para ele de presente.

Claro que para mim, isso era apenas uma lenda, criada por gente das antigas, para assustar crianças e as prevenir do perigo de morrerem afogadas na água. Julgava até terem pegado pesado com as crianças. Eu disse era, sim. Era. Estou hoje nessa sala relatando o ocorrido e não acredito que tenha me salvado. Noite após noite, ao fechar os olhos, tudo passa em minha mente.

Eram demônios. Eles estavam ali. Eu os vi. Me sentiram, aproximaram-se de mim. Olharam-me com ódio, fome, dor, vazio. Eles não olhavam por fora, eles viam minha alma e eu sentia que a morte viria. Podia ver o inferno em minha frente. No entanto, me deixaram ir, não entendo o motivo. Eles se viraram, entraram naquela água como se mesmo que quisessem, não pudessem me tocar.

O senhor que me escuta é padre. Diga-me, qual o motivo de eles me deixarem ir? Estou morta desde então. Minha esperança foi embora com eles. Minha paz que já era pouca, me foi roubada. Estou me despedaçando. Sinto-me doente. Não por ter vivido aquilo, mas por querer o motivo de eles me deixarem ir.

Vou lhe contar com detalhes o que foi que aconteceu naquela noite, quando aquele vento forte parou…

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