Charlie – (Cap1) E. J. C. King

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Ela estava toda esbaforida ao contar para o tio que, o homem que acabara de esbarrar nela, na entrada da loja estava armado. Viu ele no ônibus que havia tomado para casa. Percebeu quando ele arrumou a arma debaixo da jaqueta de couro.

O que a deixou curiosa, na verdade, foi que ele ao sair da loja, minutos depois de descer de um ônibus, entrou em um carro que parecia ser dele. O carro estava parado quase na porta da loja. Ele deu a partida e seguiu rumo ao além.

Ela tinha uma forma engraçada e nada preocupada de contar tudo que observava.

Quase ia se esquecendo de contar, que a mãe havia lhe dado uma ordem. A regra era clara. Era descer e ir direto para casa, que ficava nos fundos da loja da mãe. Ela estava de castigo e mesmo assim desobedeceu e ficou conversando com a amiga quando desceu do ônibus. Ficou lá por cerca de dez minutos, para ela nem era muita coisa. Como confiava no tio, pediu para que ele guardasse segredo.

Ela olhou para o nada. Passou a mão sobre o balcão. Pegou uma caneta e rabiscou um pedaço de papel. Contou como foi o treino e que aprendeu mergulhar no meio do arco. Ela já vinha tentando, tinham semanas. Hoje que conseguiu, não podia deixar de contar para a amiga.

Após despejar essa série de acontecimentos no tio. Ela passou pela pequena porta que havia embaixo do balcão branco, virou a esquerda que dava para um corredor e foi para casa, sem nem se lembrar de tudo que havia falado.

Após sua sobrinha de apenas onze anos tomar distância. O tio branco de medo e com as pernas bambas, apalpou uma cadeira já quase caindo de tremor e sentou-se.

Aquele homem que a sobrinha estava falando não tinha entrado ali para comprar nada. Menos ainda havia vindo apenas buscar o carro. Ele estava ali fazendo ameaças. Disse que sabia tudo sobre a família, e que inclusive acabara de acompanhar uma linda menina de cabelos castanhos, na volta da natação. Sabia os horários e tudo que era preciso. Era só uma ordem e uma bala. Para que a dívida fosse tida como paga. Ele receberia por bem ou por mal.

O problema em questão era que Charlie havia se metido com jogos. Agiotas. Vendas de drogas e tudo mais que fosse errado. Boa parte da família já tinha virado as costas. Quase todos já não tinham mais esperanças e não confiavam em nada que viesse dele. Ele já prejudicara muitos familiares, por conta dos seus vícios em jogos, bebidas e drogas. Apenas a irmã que no fim se compadeceu e deu uma oportunidade única de mudança.

Por mais que todos não acreditassem, ele estava realmente mudando. Havia quase um ano que ele estava longe daquela vida errada. Pouco menos de um ano, ele chegou fugido de outro estado. Batendo na porta da irmã e implorando uma única chance. Ele sabia que precisava mudar de vida. Não tinha mais ninguém, só ela lhe restava. A irmã com todo amor e preocupação que sempre teve, lhe cedeu lugar para ficar. Algumas semanas depois, chegaram a um acordo e ele lhe jurou que o passado estava morto e enterrado. Confiando no irmão, ela lhe deu a oportunidade de trabalhar na loja com ela.

A situação era difícil. O marido havia saído de casa para ir morar com a amante. Todas as despesas estavam em cima dela. Tinha a filha para dar atenção, o trabalho de cozinheira em um bar e mais a loja. Não conseguindo gerenciar tudo sozinha e agora com um irmão que aos olhos de todos era problemático, ela decidiu ajudar e viu nisso uma oportunidade de ter uma companhia extra. Deu-lhe o emprego e mesmo com a família toda contra, confiou nele de todo o coração. Seu amor por ele falava mais alto.

Ao final de toda a conversa sobre as tarefas, obrigações e promessas de Charlie, ele logo ficou animado e começou no trabalho. Sentia que a vida havia dado a chance que tanto desejava. Do lado da irmã e da sobrinha, encontraria forças. Ele realmente queria mudar e ia independente de todo esforço que tivesse que fazer.

O único erro de Charlie no momento do acordo e das promessas com a irmã foi de esconder que quando saiu do Espírito Santo para Juiz de Fora. Ele havia vindo fugido do chefe de uma máfia, cujos negócios eram vendas de órgãos no mercado negro, de drogas e prostituição de menores.

Mal sabia ele que após começar a vida nova, menos de um ano depois, seu passado bateria em sua porta, cobrando uma conta alta. Que poderia ser a vida de sua irmã ou até mesmo a da doce, alegre e sonhadora sobrinha.

CONTINUA….

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