Vazio – E. J. C. King

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Como se habitasse o vazio,
vozes e vontades me alcançam quando já
estou nas profundezas
de um sono desperto,
letárgico
e alérgico a novas esperanças e amores.
Já não me dizem nada certas canções que costumávamos ouvir, as melodias nada mais são que as cascas de uma ferida aberta não sei mais quando, provavelmente
dos tempos em que, imitando um equilibrista, tentei atravessar as bambas almas de tantos amados.

No porão oculto,
fotografias que se desbotam
já quase não reconheço
estes ou aqueles e também algumas outras,
já há um tempo que não desço aqueles degraus rangentes e pode até ser que já não haja nenhum rosto por trás das molduras.

Oníricos, homens me acolhem
e depois me jogam de volta
ao mundo dos despertos no qual não me sinto mais integrado como nos primeiros tempos, pelo contrário,
desintegro-me como as rochas onde rupestres artes deixaram aqueles que já não mais: cicatrizes por todo o corpo, rústicas representações de quando homem e amor perseguiam-se mutuamente
onde abater ou ser abatido
dava na mesma.

E isso há tanto tempo,
que ainda carne e espírito
viviam em comunhão.

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1 Comment

  1. Do corpo lívido, a alma ausente.
    Mórbida serenidade apanhada de um amargo beijo.
    … Embriagada numa fonte de ilusões cedeu a alma em troca de um punhado de sensações.
    Houve agora, a sinfonia do silêncio…
    Isenta, então, de culpas, deixa como legado sua ideologia desprovida de rebeldia e inspiração.

    Curtido por 1 pessoa

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